MORTALHA
Meu abrigo é o mar
O oceano sem fim
De luz prateada...
E nas praias desertas
Posso contemplar
As ondas
As gaivotas
As ondas sem volta
Lá ouço o rugido selvagem
Que arde em meu peito
Liberto, com coragem
Minha liberdade é o céu
O reluzente azul da criação
De encantos sem véu
Lar da chuva e do trovão
Onde me entrego ao divino
E em preciosa oração
Recito o salmo, toco o sino
Meu sonho é o Sol
Fonte da vida e da morte
Meu norte, meu guia
A luz que regenera
Sua força é minha consorte
Seu calor, minha alegria
Minha mortalha é a terra
A argila ancestral
Fonte do bem e do mal
Lá repousam tristes olhares
Chagas, milagres
E profanos altares
Lugar de amar e viver
Lugar de chorar e sofrer
Onde descanso, afinal