Mostrando postagens com marcador medo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador medo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

REFÉNS
Image Hosted by ImageShack.us
"O mal se espalha rapidamente".

A assertiva é válida e encontra fundamento na ganância e perversidade dos homens. Outro dia, estava assistindo a um telejornal, e uma notícia me chamou a atenção: Grupos para-militares estavam "fazendo a segurança" nas favelas do Rio de Janeiro. A tática desses grupos é simples: armados, expulsam os traficantes, sob o pretexto de banir o tráfico de drogas e proteger os moradores de determinada região. A idéia, num primeiro momento, até poderia soar como interessante, uma vez que o Estado, encarregado de proteger seus cidadãos, não o faz adequadamente.

Não fosse por um pequeno detalhe: esses "benfeitores", na verdade, cobram dos moradores do local "protegido" uma "taxa de segurança".

É o famoso "trocar seis por meia dúzia". Troca-se o traficante pelo segurança, e os moradores do local continuam a ser achacados, humilhados e pisoteados em seus direitos, pela total ineficácia do Estado em garantir a segurança pública.

Ao assistir a reportagem, pensei comigo - Logo, logo esta "novidade" irá se espalhar, assim como tudo o que é nefasto. Não demorou nada e, em notícia veiculada pelo Jornal A Tribuna de Santos, do dia 4 de fevereiro, Caderno A-6, lê-se: “Zona Noroeste. Milícias Armadas Assumem Segurança”. Nesta matéria, o jornalista Marcel Cordella, expõe que neste Bairro de Santos, os moradores e comerciantes, cansados da ação dos marginais, pagam para manter seguranças, e agora pasmem: essas milícias, na maior parte dos casos, são formadas por policiais militares em período de folga!

Pergunto: até quando nos veremos reféns desta insegurança pública que atinge nosso país? Será que, quem está no poder, não percebe as verdadeiras causas deste assolador problema? Toda a vez que vejo algum político tratar do tema da segurança pública, sempre bate na mesma tecla: aumento de pena. Em minha modesta opinião, isto, por si só, não resolve nada. Pode ajudar, mas não resolve a questão definitivamente.

Só teremos segurança quando forem resolvidos, ou minimizadas, as desigualdades sociais. Só teremos segurança quando o país voltar a crescer, de modo que o jovem, consiga um trabalho honesto.

Só teremos segurança quando os governos resolverem investir em educação.

Estamos sendo obrigados a nos enclausurar em nossos lares, pois somos reféns de bandidos, fardados ou não.

O povo, ao invés de se render à ação desses grupos, deveria cobrar uma ação efetiva do governo para resolver a falta de segurança no local onde mora: Protesto, Faixas, Cartazes, Requerer Audiências Públicas, representar ao Ministério Público. Enfim, deveria tomar uma atitude que fizesse barulho na mídia. Sempre digo que protesto, passeata e apitaço acabam resolvendo alguma coisa, desde que sejam apoiados pela mídia.

Só não podemos compactuar com o povo abrindo mão de seu direito constitucional à segurança pública. Uma segurança efetiva, real, e não ilusória, como a que temos hoje.

Na referida reportagem, um líder comunitário, resume o problema: “Não mudou nada em relação ao comerciante. Ele está sendo extorquido da mesma forma. A bandidagem extorque de uma forma e a polícia, de outra. É uma milícia e está vendendo segurança. O bandido te tira a segurança. Esse paramilitar te vende segurança. Dá na mesma”.

Até quando teremos que ler notícias tristes como essa, e muitas outras, algumas vezes piores?

Até quando o povo ficará impassível, apenas observando o governo afrontar as leis e a Constituição?


Até quando?

***
Texto de minha autoria publicado no Blog do Movimento Evolução