quarta-feira, janeiro 24, 2007

Em minha hora final
Image Hosted by ImageShack.us
Minha visão, turva, ilude-me, enquanto carrego minhas dores para a morada distante e final. Atravesso desertos, serras e oceanos e nada carrego comigo, senão as imagens dolorosas de uma pueril existência.

Mas enquanto viajo por paisagens desterradas, negras moradas, um pranto convulviso apodera-se de mim e abala meu ser. Sou tomado por furiosa cólera e grito aos deuses que me libertem dos grilhões carnais. Desejo não ser, não existir...

Tenho o coração apertado, sufocado pelas angústias colossais, e sei que em breve encontrarei meu sudário, meu sepulcro rochoso entre qualquer dos paredões de um penhasco borrascoso.

Nesta hora derradeira, escrevo minhas palavras finais:

Não sinto a luz, nem o gosto do mel.
Ouço uma música suave e fico em transe
Tenho a vista cansada, cansada de ver
Sinto os ossos quebrados, uma vida de fel

Minha cova, em breve, já não estará vazia
É um Supremo reconforto abandonar a Terra
Esta vida efêmera que lentamente me sufoca
E de mim nada restará, senão melancolia

Esse foi um caminhar de martírio
Uma negra marcha rumo à ruína final
E de repente, sinto em meu peito faca afiada
E me entrego sorrindo a um doce delírio

No entanto, nada do que me foi ensinado
Nem os salmos, nem o bem e o mal, ou a filosofia
Nem os cantos, nem os prantos e encantos
Nenhum desses princípios me será retirado

38 comentários:

Defensor, O Maldito disse...

...assim como o Blogildo já começo a me arrepender por ter aderido ao novo Blogger!

clarissa disse...

Estou há bastante tempo a tentar comentar sem conseguir :/
É precisomesmo ser persistente ;)

Este post fez-me lembrar a capela dos ossos em Évora, vai aqui:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Capela_dos_Ossos

Um abraço amigo :)

clarissa disse...

Lembrei-me de mais umas fotos interessantes, vai aqui:
http://instantesclarissa2006.blogspot.com/2006_07_01_instantesclarissa2006_archive.html

Quem sabe podes escrever aqui uma carta... só escrevendo podemos ter resposta ;)

Beijocas

Cris disse...

Hoje passei aqui,é não tinha nada novo .Mais ao voltar as 19:00,encontro esse texto maravilhoso.
Meu amigo tenho que ,adimitir que você é, demais, com esses textos que tu colocás.É com certeza ninguém ,pode arrancar de você esse dom que tu ,tés em escrever coisas lindas. Aquilo que a gente aprende, é impossível de ser roubado, de nossa memoria mesmo depois de morto.Porque? ela parte junto com nós,e outras vezes fica ,no pensamento de quem acreditava em nossas capacidades.
Não existe coisa melhor que, uma musica bela e suave,para escutar enquando.Paramos para refletir o que se passa ao nosso redor.
bom acho que é isso.

Cris Palmares.

Flávio disse...

Lindo, sim, amigo... o que, aliás, não é novidade nos seus textos! Mas confesso que gostaria de ver vc mais animado com a vida, viu? Quero ler o que vc escreve por muito tempo, ainda! ;) Abração

Renata disse...

Mto bonito o texto, mas angustiante tb. Não lhe conhe;co e não sei o que está passando mas esssa sensação de angústia reconheço de longe... Sei muito bem quando a gente está tão cansado de algumas coisas na vida que "morrer" seria "um supremo reconforto". Enfim sendo ou não uma situação real que motivou o texto, posso lhe dizer que esta vontade de descansar é bem diferente de de fato morrer (opa, ninca morri como posso saber disso?! rs...)
Carinhosamente,
Renata

Bruxinhachellot disse...

"Desejo não ser, não existir..."
Eis um desejo universal, pois o mundo anda perdido entre as brumas de sua própria ignorância.
Sua poesia me fez lembrar de Álvares de Azevedo, poeta brasileiro que possuía fixação pela idéia da morte.

"Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
(...)
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua pratear-me a lousa!"
"Lembrança de Morrer"

Beijos de vida.

Ricardo Rayol disse...

A morte cantada em verso e prosa, tão esperada e pelo jeito desejada. Esvai-se em cinzas. Não deixa nada para trás.

Cara, um show! Quando crescer quero escrever que nem tu.

Lord of Erewhon disse...

«Nenhum desses princípios me será retirado»...

... Isso dependerá muito de qual Além te convém...
No budista diluir-te-ás no «oceano de Deus»...
No judeu serás cantor... «cantarás para toda a eternidade a Glória do Senhor»... Escolhe já a mais rara ave tropical que houver por aí! :)=
No cristão idem... com uns santinhos vestidos de branco à mistura! O branco sempre foi grande ocultador de pecados e outras mal cheirosices de «debaixo do pano»!
Penso que só adentro do luciferismo te preservarás no Além... pois só o luciferismo sempre manteve a crença de que as Almas pré-existem à Criação... sendo esta apenas a sua Queda... e a Redenção a sua reintegração no estado originário anterior à Criação... Tornar-te-ás o que sempre foste, a tua Substância Originária... Todo o caminho iniciático, seja por que Via... no fundo se destina ao mesmo objectivo: conhecer quem Se É desde sempre. Daqui os velhos cabalistas se dedicarem a saber qual o Nome da sua alma no Livro de Deus... não a Bíblia ou outro... mas Aquele que Deus esconde lá No Alto.

Abraço!

P. S. A Clarissa indicou-te todo o arquivo... é este o post dela com as ditas fotos da célebre Capela sita em Évora, capital do Alto Alentejo... uma cidade excelente!:

http://instantesclarissa2006.blogspot.com/2006/07/instantes-lvii.html

... mas todo o arquivo de Julho vale bem a pena!

Lord of Erewhon disse...

P. P. S. Erro meu! Afinal é de uma outra capela em Itália!
A Clarissa confunde minha fraca mente de macho... com tanto osso! :)=

Lord of Erewhon disse...

Mais um site: http://viajar.clix.pt/com/fotos.php?id=214&lg=pt

Lord of Erewhon disse...

O templo romano à Deusa Diana também vale a pena! É único na Península Ibérica.

Lord of Erewhon disse...

E isto: http://lfx4.ist.utl.pt/arquideia/Sitios/almen.html

Lindo e sagrado!
Quem toca na pedra aqui... fica com uma alma nova!

Blogildo disse...

Ao morrer - sendo pagão, cristão ou petista - todos virão pó. Como diria Shakespeare através de Hamlet: O resto é silêncio.

Belo poema!

Abraço!


Ps.: Papa-léguas é parente de Moby Dick!

Lord of Erewhon disse...

Viram pó... mas não a Alma. Foi pela Alma que o Demiurgo ergueu a carne do pó.

Leu «Timeu» de Platão, Blogildo?

Defensor, O Maldito disse...

O Cristão e o adepto do Luciferismo. Um debate interessante!
Gosto dos dois...

Sujeito Oculto disse...

Dá um certo trabalho, mas, no final, vale a pena o novo blog.

Sobre a morte... o que levamos conosco? Nada! O que conta é o que deixamos por aqui.

Mestre Splinter disse...

''...Vou te encontrar
vestida de cetim
pois em qüalquer lugar
esperas só por mim
e no teu beijo
provar o gosto estranho
que quero e não desejo
mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar
eu te detesto e amo
Morte
Morte, Morte que talvez
seja o segredo dessa vida...''

Velho, valeu pelos comentários, queria te avisar que o link do Azul Limão está bom, sim...Tente outra vez(aiaiai, esse Raul agora saiu sem querer!), se não conseguires, avisa.

New Blogger sucks! Acho que vou bater no Brankinho.

Brankinho disse...

"New Blogger sucks! Acho que vou bater no Brankinho."

Falando mal de mim!

Lord of Erewhon disse...

Para os cristãos a alma é gerada na cópula dos progenitores - solução de má teologia para fugir à pré-existência da alma e anular assim o fundamento da teologia da reencarnação - e quando morre a pessoa morrem corpo e alma - singularidade excêntrica do cristianismo: ou seja, os mortos não vão para nenhum lado... deixam de existir, mas aguardam a ressurreição (embora o cristianismo popular assim não entenda). Por este facto era proibido na Idade Média trasladar cadáveres... e ainda o é hoje para os muçulmanos... porque a campa de uma pessoa é o lugar de onde será ressuscitada!... ZOMBIE NIGHT!!
JAJAJAJAJAJAJAJA!!!

P. S. Defensor, você vai ser o árbitro?? O nosso amigo é um Tiranossauro Rex poderoso... mas eu tenho a protecção do Anjo! :)=

P. P. S. New Blogger DOUBLE sucks!

Defensor, o maldito disse...

Lord Of Erewhom: para não ficares em desvantagem, chama o Klatuu, o Embuçado, o mortal verdugo, que empunha o machado... he he!

Defensor, o maldito disse...

Bem, grandes amigos, por essa semana é só. Volto segunda... talvez mais animado!

Um ótimo final de semana.

Viva a vida, esta bela vida!!!

mac disse...

É o que temos de mais certo na nossa vida. Ao nascer, já sabemos o que nos espera.

-›¦‹-Sombras-›¦‹- disse...

Prefiro ler-te num estado de alma menos sombrio... Desejo-te um bom resto de semana e um fim de semana ainda melhor! Beijinhos, mil

Mestre Splinter disse...

Velho, fiz um link novo p'ro Azul Limão! Desculpa a cagada do Gigasize, não tenho a mínima idéia do que aconteceu, esses servers ficam tirando a gente p'rá otário!

Baixa lá, acho que agora vai dar!

Abração!!!

Suzy Tude disse...

Defensor, a morte é mesmo misteriosa, mas necessária. Acho que se não tivéssemos prazo de validade, acabaríamos nos cansando de tudo isso. E como disse o Blogildo, lá em cima, a morte a todos equipara.
Gostei de sua abordagem


Grande abraço

Jorge Sobesta disse...

Defensor,

O poema é bonito, mas é só um poema, não é?

A única coisa com que não devemos nos preocupar nessa vida é com a morte. No dia e hora marcados ele sempre vem com determinação e pontualidade.

Um grande abraço.

Ester Beatriz disse...

Olá amigo Defensor!!!!
Belo e profundo texto...Me pareceram lamentos de um suicida...
Como sempre, vc parece escrever com a alma....
Grande abraço!

Bruna disse...

Oi Defensor,



Você escreve muuuuito! Blz de texto!!

Na verdade, todos querem ir pro céu, mas não morrendo, perdendo a vida. Encarar, falar sobre a morte poetando não é fácil.

Beijos

Lord of Erewhon disse...

Me AGAIN, just to say: New Blogger TRIPLE sucks!! JAJAJAJA!!!

Keila, a Loba disse...

Esse texto me faz lembrar de uma entrevista do Paulo Betti, em que o repórter indaga ao mesmo sobre morte, para onde ir e o que existe do outro lado. Na verdade, achei surpreendente a forma que o Paulo falou sobre crer ou descrer sobre a vida depois da vida com essa máxima:"Besta é quem acredita que o nada virá depois da morte, pois fatalmente nada encontrará, mas é sabio quem se vê em repouso e recebendo orientação, pois somos e fazemos aquilo que nossas mentes nos incitam, ainda que estejamos vivendo o pós-mortem".

BeijUivoooooooooooossssssss da Loba

Escorpiana Explosiva disse...

Fiz um blog para mim e te adicionei lá. Espero que não se importe.

Dark-me disse...

Profundo e sentido!!!
Adorei!!

Dark kiss

Cavaleiro disse...

O q acontecerá qd a Ceifeira nos vier buscar, terá valido a pena td o q fizemos durante a nossa curta e mesquinha vida?
Texto interessante

Abraço
Cav

david disse...

Defensor meu amigo,

Sinto não poder ter comparecido o quanto mereça, mas esta semana as coisas foram meio que demais: montar o blog do Evolução, o Fórum e trocar meu template, fora minhas atividades normais.
Lhe garanto que não é desinteresse...somente absoluta falta de tempo.

Um abraço, meu amigo.

Eärwen Tulcakelumë disse...

Vim deixar-te meu abraço.
Nada mais polêmico que o tema da morte... algo tão certo que temos.
Gostei muito.

Eärwen
28.01.07

Klatuu o embuçado disse...

Defensor, você - ou alguém por aí - me sabe dizer se os gringos do blogger já passaram da fase «persuasiva, é democracia, você é livre de escolher e o cu da mãe deles» à fase de «ou você muda ou leva um chuto»??... é que já não me estão a permitir acessar meus blogs a menos que mude para o new blogger! (O mesmo está acontecendo com a Clarissa e outra gente).

Se souber de algo, ou se o mesmo estiver a acontecer a mais alguém por aqui, agradecia me dissessem...

Obrigado.

Defensor, O Maldito disse...

Klatuu: não posso te dizer com certeza, mas acho que todos serão obrigados a mudar para a nova versão. É apenas uma impressão, mas pelo que você descreveu...
Acabei me arrependendo por mudar, mas acho que seria inevitável, de qualquer sorte.