quinta-feira, novembro 23, 2006

SOBRE HOMENS E MONSTROS
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“Devemos ter amigos que nos ensinam o bem; e perversos e cruéis inimigos, que nos impeçam de praticar o mal” - Diógenes

“Decisões febris tomadas para toda a eternidade, mas imediatamente seguida de remorsos...” Acho que a frase encontra-se em algum dos livros de Dostoievski, não lembro qual.

Já escrevi em A Fúria é Mortal no Coração dos Mortais que deveríamos nos arrepender somente do que deixamos de fazer, e não do que já fizemos.

Atos passados não podem ser modificados e já sabendo disso, creio que antes de tomar qualquer decisão, esta deve ser bem pensada.

Da mesma forma, quando se usa a palavra – às vezes mais poderosa que a espada – deve-se escolher bem o que se fala, sob pena de sermos mal interpretados, ou ferirmos os sentimentos de alguém.

Em verdade, o arrependimento pode matar uma pessoa, ainda que lentamente, envenenando-a com a cicuta do remorso, do pesar, tornando-a soturna, melancólica, abatida... desistindo de viver!

Não existem pessoas inteiramente más, assim como não existem pessoas completamente boas. Sempre acreditei que os seres humanos, movidos por suas paixões, medos, valores, angústias ou o que quer que seja, são dotados de livre arbítrio e, podem, de acordo com as circunstâncias, revelar uma face boa ou má. Vale dizer: ninguém é sempre bom, e nem sempre é mau.

O homem é o senhor de seu destino. O homem decide o que faz sobre a face da Terra. Ele pode ser bom ou mau, egoísta ou solidário, Deveríamos nos preocupar – e portanto, pensar antes de agir ou falar – com nosso semelhante antes de magoá-lo, explorá-lo, maltratá-lo ou torturá-lo.
Mas ao mesmo tempo em que é sua perdição, essa dualidade do homem é que o faz único, especial, digno das mais diversas paixões, opiniões, aplausos ou censuras.

A perfeição não existe, e jamais existirá. Um mundo perfeito poderia ser maravilho, mas seria, certamente, enfadonho. A imperfeição é que nos torna maravilhosos.

Bem, mal, solidariedade, egoísmo, interesse, apego, temperança, justiça, coragem, covardia, conformismo, rebeldia, humor, prudência, imprudência, lealdade, traição, fidelidade, infidelidade, pureza, malícia, amor, ódio, e muitos outros atributos fazem parte de nós, fazem parte de nosso dia a dia. Estão presentes em nossa consciência, em nossa alma.

Tudo isso está lá, no âmago do nosso ser, esperando para se mostrar. Alguns predicados mais fortes que outros, mas todos estão presentes, em maior ou menor grau, ainda que de forma latente. Talvez em muitas pessoas só em pensamento, mas mesmo assim, estão presentes.

É verdadeiro e certo que sempre é melhor lutar pelo que é bom, pelo justo, pelo correto. Mas também é correto e sensato que a luz não existe sem as trevas, que o bem não existe sem o mal. A dualidade faz parte da essência de todas as coisas no universo.

Sempre haverá homens e monstros, às vezes reunidos na mesma pessoa...
_______________________________________________________
É isso... bom final de semana. Volto segunda.

19 comentários:

David disse...

Sou péssimo nessas situações, caro amigo. Eu me arrependo de várias atitudes em minha vida. Parece-me que quanto mais velho se fica, mais perto do arrependimento geral, amplo e irrestrito se fica.
À luz de novos conhecimentos que adquirimos dia a dia, mais erradas me parecem coisas banais que fiz/deixei de fazer.

Blogildo disse...

Eu penso um pouco diferente. Creio que o sentimento de culpa ajudou a humanidade a desenvolver a civilização. Minha consciência é meu pior algoz.
Sempre reflito no que fiz, me arrependo e lamento quando não posso consertar um mal realizado.

Também acredito no bem e no mal. Creio que todos nós somos maus, mas com capacidade de sermos bons. Os que consideramos bons, na verdade, são maus que exercem melhor a capacidade de serem bons. Pois se dependesse de nossa natureza, a bondade não apareceria nunca.

Gostei do texto. Me fez pensar...

Abraço!

Blogildo disse...

Ah! Senti falta da guria com a seriga na boca...

Anônimo disse...

eu acho que retrataste muito bem a natureza humana. Concordo com o que disseste. Temos o bem e o mal dentro de nós... A maioria tem a maldade adormecida mas, de vez em quando, ela desperta... Fazemos escolhas, reagimos... A perfeição de facto não existe!

Beijo grande.

Anônimo disse...

Esqueci-me! Bom fim de semana e até Segunda!

Mais um beijo grande.

Rita Contreiras disse...

Acredito que somos essencialmente bons. Os filhos herdam do pai suas características, mas vamos criando as noss hipóteses, testando-as e aí cometemos alguns equívocos, construímos, desconstruímos, reconstruímos...E assim vamos seguindo o nosso caminho, só nosso, único. Bjs.

Ricardo Rayol disse...

Cara vc escreve muito bem. Li certa vez que uma pessoa só é totalmente má se não tiver ninguem que chore por ela. As coisas que escrevemos realmente são eternas e devemos tomar muito cuidado. Palavras ditas conseguimos contornar. mas o preto no branco não. Bom final de semana. Ê vida boa.

Anônimo disse...

Quanto a se arrepender ou não, é bom lembrar que é fácil fazer isso AGORA, quando o momento já passou e você sabe a atitude que deveria ter tomado.

No momento anterior você tomou uma atitude baseado nas informações que tinha, com a melhor intenção possível. Se o resultado final não foi o esperado, paciência, aprenda com esse erro.

O tal "sentimento de culpa" é ruim e consegue ser tão destrutívo quanto o ódio, as vezes mais, pois impede a pessoa de aprender com aquele erro, tornando-a infantilizada.

Parafraseando uma famosa música: O meu Jackyl não consegue viver sem o meu Hide.

Emanuelle disse...

Acredito plenamente nisso que falou sobre a dualidade de sentimentos que todos nós temos. Quando alguém fala pra mim: Ah, por que fulano é sacana...´- Acho que quem comete atos sacanas podem perfeitamente à tarde ajudar um orfanato. O ser humano é um ser maluco e por isso fascinante. Adorei, cara. Mesmo! Você é o cara!

}}cleopatra{{ disse...

Sim, todos temos um pouco de monstros dentro de nós!
A diferença está em conviver com o que mais predomina... uns mostram-se maioritáriamente bons, só demonstram o lado oposto, quando provocados ou irados. Outros, mostram-se maus, que é como habitualmente são! Mas até esses, possuem um lado bom, embora quase nunca o mostrem!!

Beijo soprado

....:::: Anonima ::::.... disse...

Não devemos nos arrepender do que fizemos e sim do que não fizemos... também sempre carreguei isso comigo...
Não dá pra ficarmos nos lamentando o tempo inteiro que fizemos algo errado... isso é aprendizagem.
E sem aprendizagem, definitivamente não melhoramos.
Concordo em gênero, número e grau com vc!
Parabéns!!! Muito bem escrito!!!

Sorte Sembre

Lord of Erewhon disse...

Concordo, apenas uma reinterpretação: somos anjos e somos monstros, ou seja, homens.

Abraço.

Ane Brasil disse...

Cara, vc tá coberto de razão!
Somos capazes de tudo:desde o mais sublime ato de despreendimento e justiça ao mais vil ato de crueldade...
Já reconheci em grandes amigos grandes maldade e já tive que - para não sacrificar a justiça - reconhecer no inimigo um gesto de grandeza... é nem todos são totalmente perfeitos ou imperfeitos... em todos nós pulsa o lado negro da força.
O que difere os bons e os maus é a freqüência e a intensidade em que o tal 'lado negro da força' vem à tona.
sorte e saúde pra todos!

Ricardo Rayol disse...

Por falar nisso preferia o template anterior. Mais irado.

Inominável Ser disse...

Inomináveis Saudações, Defensor Maldito.

A Dualidade, O Princípio Da Dualidade, é essencial para o pleno desenvolvimento humano. Não há aprimoramento sem o trabalhar a Dualidade, isto é, sem tecer uma linha de equilíbrio entre o humano e o desumano interiormente. Não se deve negar as Luzes e as Trevas em si, mas equilibrá-las em uma Linha De Força, explorá-las de modo racional, de modo focalizador das positividades que possam advir de tal Equilíbrio. Há força nesse Equilibrar Interno. Há maravilhosas descobertas nesse Equilibrar Interno. Há toda uma Senda Maior De Completude Existencial nesse Equilibrar Interno.

Não se pode ser totalmente sombra.

Não se pode ser totalmente luminosidade.

Trevas devem ser amadas.

Luzes devem ser amadas.

Saudações Inomináveis, Defensor Maldito.

tina oiticica disse...

Gostei do seu texto principalmente porque tem a ver com uma fase da minha vida. Bateu legal. Obriada, Defensor.

Blogildo disse...

"O tal "sentimento de culpa" é ruim e consegue ser tão destrutívo quanto o ódio, as vezes mais, pois impede a pessoa de aprender com aquele erro, tornando-a infantilizada." É uma opinião interessante, hazzamanazz.

Mas, discordo. Me culpo o tempo todo e creio que estou crescendo com isso. Não se arrepender de algo é que seria infantil. Segundo minha ótica pessoal, veja bem.
Creio que há uma inconsistência na sua afirmação.
Como é possível aprender com um erro sem se arrepender do erro? O arrependimento nada mais é do que o resultado do aprendizado com o tal erro. E o sentimento de culpa nada mais é do que o lamento pelos resultados, possivelmente negativos, do tal erro. Isso sim é aprender com os próprios erros...
Mas, como disse e repito, é apenas MINHA opinião!

Abraço!

A guria com a seringa na boca faz falta... hehehehehe!

Defensor, O Maldito disse...

Ótimos comentários. Parece que sobre esse post o pessoal refletiu bastante. O Blogildo gostou e aderiu ao debate. Expôs e depois ainda voltou para complementar. O Rayol, comentador assíduo deste espaço também deixou sua marca, e clamou pela volta da "guria com a seringa na língua", assim ocmo o Blogildo.
Angela e Rita: sempre gosto da opinião dessas meninas.
David também passou e deixou sua opinião.
Hazzamanazz: quando aparece sempre faz comentários oportunos. Apareça mais vezes amigo!
Emanuelle, Cleopatra e Anonima, sejam sempre bem-vindas a este espaço. Gosto de vossos comentários. Obrigado pelos elogios Manu!
Lord of Erewhom, amigo português. Sempre com alguma reinterpretação. Boa.
Ane Brasil: o que é que eu falo dessa menina?!! Ela é show de bola...
Inominável Ser: sempre complementa algo nos comentários. Gosto disso.
Tina: por muito tempo só você comentou por aqui. Sempre volte. Sua presença é essencial!
Obrigado a todos!

Klatuu o embuçado disse...

Mário Cesariny é o poeta mais importante da geração surrealista portuguesa, multifacetado, moderno, pela atitude e pela inovação, penso que tem paralelo na vossa literatura, na Geração Concretista, não pelo projecto, mas pelas múltiplas expressões artísticas.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=252034

http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Cesariny

http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/mario_cesariny/poetas_mariocesariny01.htm