
Brilhar para sempre
brilhar como um farol
brilhar com brilho eterno
gente é pra brilhar
que tudo mais
va pro inferno
este
é o meu slogan
e o do sol
Maiakovski
Somos torturados diariamente
Somos humilhados, espezinhados e chamados de otários
Tentam nos escravizar com promessas
Tentam nos enganar com números que não refletem a realidade
Podem ludibriar as massas ignorantes
Podem iludir os fracos
Podem comprar os miseráveis
Porém decoro, honra e indignação
São qualidades de poucos
Mas que juntos podem transformar-se em muitos
Com força e coragem para mudar
Não acredite em tudo que te dizem
Não creia em tudo o que lê
Não confie em tudo o que vê
Pergunte, indague, mas nem sempre espere respostas sinceras
E se persistirem em te afligir, despreze-os...
"Nem ao golpe do chicote, nem a voz do insulto, nem ao rumor de minhas cadeias aprendi a odiar, deixe-me desprezá-los, já que não posso odiar a ninguém".
José Martí (1853 – 1895)
PS= Manifesto o meu “desprezo político” através do voto nulo. Sei que podem não concordar, sei que podem falar que não é a solução, mas não posso compactuar com aqueles em quem não acredito. É uma questão de consciência.
A VINGANÇA DA NATUREZA
O MALUCO, ALÉM DE BELEZA TAMBÉM ERA PUNK
Amanheci determinado a mudar
Agora vou ser punk até apodrecer
Apodrecer pra incomodar
Com meu mau cheiro empesteando seu jantar
Eu sou punk, nojento, e mais,
Eu quero é matar minha vovozinha
Botar veneno na cerveja do meu pai
Não acredito mais em nada
Vou cuspir na cara da empregada
Eu sou punk
Nojento, vulgar demais.
EPITÁFIO II
“Que o meu espírito voe livre em direção ao Sol nascente.
Que ele seja a comprovação de que não trilhei estas paragens em vão.
Aprendi e ensinei, sofri e me alegrei, sorri e chorei.
Tive esperança, mesmo quando a dor da perda e da desolação apossou-se de meu coração.
Fui corajoso, porém, e não me deixei desanimar ou me abater nesta longa jornada que culmina nos portais que levam ao descanso eterno.
Jubilo-me, agora, com as manifestações de pesar pela minha ausência.
Estancai as lágrimas, no entanto, pois este humilde espírito fundiu-se com a uma e indivisível divindade suprema. Sou um, faço parte do todo e estou em todos os lugares.
Que o meu espírito habite por toda a eternidade no coração daqueles que amei.
Que o meu espírito seja lembrado por meus adversários, pois jamais esquecerei deles: ensinaram-se o valor de cada batalha travada.
Que o meu espírito seja como uma ave migratória para voar e sempre voltar a este lugar que tanto amei...
Que toda a essência divina que brilha e arde dentro do espírito elevado seja a glória e a virtude para sempre e sempre”
ENTRE O DIABO E O COISA RUIM
A frase não é minha, mas cabe como uma luva no atual momento político brasileiro. Lula ou Alckmin? Confesso que não sei quem é o pior. Andei meio desanimado para escrever sobre política, e por isso faz tempo que não o faço. Estou preferindo coisas um pouco mais espirituais, ou literárias, para não esquentar a cachola.
Porém, hoje não resisti... Acordei de mau humor e quando isso acontece, volto-me contra essa corja que se convencionou denominar políticos.
O fato é que nenhum dos dois candidatos a presidente irá representar a mudança que o País necessita.
Alckmin, um verdadeiro banana. Um dos responsáveis pela falta de segurança pública do Estado de São Paulo. Refém de uma pseudo-organização criminosa, por sua culpa e dos incompetentes antes dele – do mesmo partido – assistiu, impassível, delinqüentes tomarem conta das ruas do maior Estado da República. Claudicante nas sucessivas rebeliões da FEBEM, e indeciso na última greve do Judiciário Paulista (com o Covas já havia tido outra anos antes) que durou quase três meses e acumulou a Justiça de processos, prejudicando milhares de pessoas, merece estar no PSDB, sempre em cima do muro...
Propostas ou Histórias da carochinha? Tudo igual. Sempre mais do mesmo...
Quando virá alguém disposto a mudar as estruturas deste país, hoje digno de fazer parte do continente africano? Mudar de verdade, com um plano definido. Alguém que se disponha a acabar com privilégios. Alguém que não somente faça as leis necessárias para o término desta corrupção maldita que açoita o povo, mas acima de tudo, efetive o modo pelo qual elas possam ser cumpridas.
Alguém que faça valer a Constituição. Passados mais de dezoito anos da promulgação da Lei Máxima da Nação, direitos e garantias fundamentais nela previstos ainda continuam no papel.
Alguém que faça funcionar, efetivamente, a rede pública de saúde. Alguém que valorize a educação, mas não somente pense em construir escolas, mas acima de tudo, valorize o professor.
Alguém que invista em pesquisa e incentive a indústria nacional. Alguém que priorize o desenvolvimento regional, de modo que todos os Estados da Federação possam se desenvolver plenamente.
Alguém que além de pensar em dar o peixe, ensine a pescar. É possível! Mas não com estes dois que estão aí...
A que ponto chegamos. Triste fim...
WILLIAM BLAKE
Estou postando seu poema mais conhecido, considerado uma verdadeira obra prima, na tradução de Angelo Monteiro.
Nas florestas da noite.
Que mão que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?
Ardeu o fogo de teus olhos ?
Sobre que asas se atreveu a ascender ?
Que mão teve a ousadia de capturá-lo ?
Que espada, que astúcia foi capaz de urdir
As fibras do teu coração ?
Que mão, que espantosos pés
Puderam arrancar-te da profunda caverna,
Para trazer-te aqui ?
Que martelo te forjou ? Que cadeia ?
Que bigorna te bateu ? Que poderosa mordaça
Pôde conter teus pavorosos terrores ?
E regaram de lágrimas os céus,
Sorriu Ele ao ver sua criação ?
Quem deu vida ao cordeiro também te criou ?
Nas florestas da noite.
Que mão, que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?
“O MISTÉRIO ENVOLVE O MEU DESTINO POR TODOS OS LADOS”
Ontem fez 157 anos que um dos maiores gênios da literatura mundial morreu. Não é fácil descrever o que significou e significa o trabalho de Edgar Allan Poe. Se eu pudesse traduzir os seus escritos em uma só palavra, esta seria: excepcional! Jamais, excetuando-se o breve período que se seguiu ao lançamento do poema “O Corvo”, obteve sucesso durante sua vida, mas pouco tempo após sua morte seu trabalho já era considerado fenomenal.
Poe nunca foi como os outros...
Edgar Allan Poe (*1809 + 1849)
Quid thesauri proderunt si opprimar morte”
EDGAR ALLAN POE
SILÊNCIO
Os cumes das montanhas estão adormecidos;
os vales, os penhascos e as cavernas estão silenciosos
Álcman
“Escuta-me – disse o Demônio, pondo-me a mão sobre a cabeça – O país de que te falo é uma região lúgubre, na Líbia, nas margens do rio Zaire. Aí não existe nem paz nem silêncio.
“Mas tem uma fronteira, o seu império – o limite da escura, terrível e majestosa floresta. Ai, tal como as ondas em torno das ilhas Hébridas, as plantas rasteiras estão em constante agitação. Mas no céu não há vento. E as árvores altas e prístinas baloiçam-se num eterno vaivém, com um poderoso e impressionante estrépito. E das suas altas copas caem, uma a uma, gotas de orvalhos eternos. E a seus pés retorcem-se flores venenosas num sono agitado. E por sobre as suas copas, com um murmúrio intenso, as nuvens plúmbeas correm céleres para o ocidente, para a eternidade, até rolarem, como em catarata, por cima do muro ardente do horizonte. E não há vento no céu e nem paz nem silêncio nas margens do Rio Zaire.
“E, de repente, a Lua irrompeu através do tênue véu da neblina funérea, e era de cor vermelha. E os meus olhos fixaram-se numa rocha cinzenta que se encontrava na margem do rio e era iluminada pela luz da Lua. E a rocha era cinzenta e sinistra e alta – e a rocha era cinzenta. E havia caracteres gravados na pedra; e eu caminhei pelo pântano de nenúfares até me aproximar da margem, de modo a poder ler os caracteres escritos na pedra. Mas não os consegui decifrar. E ia regressar ao pântano quando a Lua brilhou com um vermelho intenso e eu voltei-me e olhei novamente para a rocha e para os caracteres – e os caracteres diziam: Desolação.
“E olhei para cima e estava um homem no topo da rocha; e escondi-me entre os nenúfares para ver o que o homem fazia. E o homem era alto e imponente e envolvia-o, dos ombros aos pés, uma toga da velha Roma. E eram indistintos os contornos de sua silhueta – mas o seu rosto era o rosto de uma divindade, porque, não obstante o manto da noite, e da neblina, e da Lua, e do orvalho, os seus traços fisionômicos eram visíveis. E a fronte era a fronte altiva do pensador e os olhos estavam nublados pelas preocupações; e nas poucas rugas da face li as efabulações do tédio, do cansaço e do desgosto pela humanidade e de um anseio veemente de solidão.
O texto a seguir, atribuído a J. R. Torero (apesar de ter pesquisado, não pude confirmar a fonte) foi retirado do site www.bethynha.com.br, e resolvi postá-lo para demonstrar que desde a antiguidade até hoje o modo de fazer política é o mesmo. As lições são as mesmas...
"Alipio Crasso foi governador da Beócia durante o reinado de Trajano. De sua grande popularidade ficaram registros em cartas de Plinio, o Novo, e desenho em azulejos com a inscrição : "Crasso nos governa, somos felizes".
Recentes escavações no Estreito de Bósforo resgataram um baú com estatuetas do jovem Crasso sendo educado por seu pai, Lupilio. Sabe-se que eram vendidas e o povo as estimava, colocando-as ao lado das figuras dos deuses nos santuários caseiros.
As estatuetas fizeram renascer a discussão acerca do papel de Lupilio na educação do seu adoradissimo filho. Educação não apenas guerreira ou moral, mas principalmente política. Com isso, foi revalorizado um texto que vinha saciando apenas os cupins. Falo dos "Apontamentos para a Política e Governo dos Homens", escrito por Lupilio durante o cerco dos Quados.
Trata-se de um texto muito valioso, e diz a tradição que Crasso o seguiu à risca nos seus quarenta e seis anos à frente dos negócios beócios, em que, segundo o poeta Euriano, "O sol não abrasava/ O vento não destruía/ A chuva não castigava/ Assim era cada dia".
Vale a pena rever essa lição de sabedoria política que deve estar na gaveta de muito político moderno :
"Meu filho, quando nasceste e vi teu olhar pálido e idiota pendurado no centro da enorme e desproporcional cabeça, não pude dar-te outro nome que não o de Crasso. Porém, convencido de que a pedagogia corrige a natureza, desde cedo preparei-te para a profissão em que os imbecís são honrados : a política.
Agora que Ernulfo está à morte e fostes escolhido governador, medita uma vez mais nessas lições. Garanto que serás amado por uns, temido por outros e respeitado por todos :
1) Faze obras grandes e vistosas sem te perguntar pela utilidade delas. Esquece os esgotos, lembra-te das pontes. Um mísero arco na rua do estádio vale mais que a porção de trigo de cem camponeses famintos.
2) Sai às ruas, discute com o vendedor de pães, ralha com os cobradores de impostos. Lembra-te que eles são odiados e é bom que pareças ser inimigo deles.
3) Rebatiza tudo e assim pensarão que tudo é obra tua. Não ergueu Ernulfo as Termas do Monte ? Pois bem, manda fazer ali duas estátuas e põe dois soldados à porta; depois muda-lhe o nome para Termas da Lua ou Termas de Trajano. Em dois anos todos pensarão que tu mesmo os fizestes. Em três, estarão chamando-as de Termas de Crasso.
4) Apega-te a coisas mesquinhas. Se pensares nas guerras, nas estradas e nos granários, em que serás diferente dos outros que vieram antes de ti ? Legisla sobre as túnicas dos moços, discute a ferradura ideal para os cavalos, faze leis sobre o consumo de fumo, proibe as mulheres de beberem mais de dois copos de vinho nas saturnais. Um pai pensa nos estudos do seu filho, mas também preocupa-se com a queda de sua franja.
5) Vai aos jogos, ordena trombetas à tua entrada e à tua saída, chega sempre um quarto de hora depois do horário aprazado
6) Ernulfo vai às guerras e regressa de boa saúde. Nunca cometas semelhante estupidez. Volta com um ferimento e, por pequeno que seja, exibe-o no mercado.
7) Aprende a retórica e esmera-te na arte de nada dizer.
8) Sempre que encontrares um pedinte, tortura-o com a descrição das tuas infelicidades. Faze-o crer que tens inveja da liberdade que os deuses graciosamente lhe deram. Convence-o de que a vida no palácio é toda cheia de crimes, aleivosias e conspirações. Os pobres gostam de pensar que são mais felizes do que os ricos e assim se sentirem superiores a eles. Com um punhado de lágrimas ganharás não só a sua simpatia, mas também a sua compaixão.
9) Calçaste uma rua ? Toca tambores e chama o circo. Nunca inaugures nada em silêncio e modéstia.
10) Segue os usos e costumes de Roma, manda trazer os vasos do último gosto, faze crer a todos que és refinado e conheces as maneiras da mesa de Trajano. Dize sempre : "Em Roma se faz assim", ou "Essa é a maneira como eles fazem isto". Assim os que te ouvirem pensarão que tens amizades com os patricios.
OBS= A Beócia não melhorou muito no governo de Crasso, mas os beócios o adoravam"
PS= qualquer semelhança com nossos políticos não é mera coincidência... E aproveitando o ensejo, parabéns aos quase seis milhões (5.957.207) que me acompanharam e votaram nulo. Ainda conseguiremos nosso intento, não desistam!
PEQUENO DICIONÁRIO DE POLÍTICA
Socialismo puro: Você tem duas vacas. O governo confisca as duas, e as coloca num celeiro junto com as outras vacas confiscadas. Você tem que tomar conta de todas, junto com todos os outros que tiveram as vacas confiscadas. O governo te dá o leite que você necessita.
Socialismo burocrático: Você tem duas vacas. O governo confisca as duas e as coloca num celeiro junto com as vacas de todo mundo, que serão tratadas por ex-criadores de frango. O governo determina que você cuide dos frangos. O governo te fornece todo o leite e ovos quanto o regulamento diz que você precisa.
Comunismo puro: Você tem duas vacas. Seus vizinhos te ajudam a tratar delas, e todo o leite é dividido.
Comunismo cubano: Você tem duas vacas. Você tem que tratar delas, e o governo fica com todo o leite.
Comunismo do Camboja: Você tem duas vacas. O governo desapropria as duas e ainda te da um tiro na cabeça.
Ditadura: Mesmo que você não tenha duas vacas, o governo te prende e te tortura pra revelar onde elas estão. Depois desaparecem com você.
Democracia pura: Você tem duas vacas. Seus vizinhos decidem quem irá beber o leite.
Democracia representativa: Você tem duas vacas. Seus vizinhos escolhem alguém que irá decidir quem irá beber o leite.
Anarquia: Você tem duas vacas. Ou você vende o leite a um preço justo, ou seus vizinhos tentam pegar as vacas e te matar.
Burocracia: Você tem duas vacas. Primeiro o governo regula com o que você vai alimentá-las e quando você pode ordenhá-las. Depois paga para que você não as ordenhe. Então abate uma e vende a carne. Ordenha a outra, e joga o leite fora. Por fim requer que você preencha o formulário esclarecendo o desaparecimento da vaca morta.
Surrealismo: Você tem duas girafas. O governo requisita que você conte quantas bananas sobraram depois que os elefantes fugiram voando.
CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO, Carlos Drummond de Andrade
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
EPITÁFIO
Que... não se saiba de minha morte
Nem se sofra por minha causa,
E que eu não seja enterrado em solo consagrado,
E que nenhum sacristão venha a dobrar o sino,
E que a ninguém se peça que veja meu cadáver,
E que ninguém me acompanhe em funeral,
E que não se plantem flores em minha sepultura,
E que ninguém me recorde,
A isso subscrevo.
Thomas Hardy, poeta e escritor inglês