domingo, outubro 08, 2006

“O MISTÉRIO ENVOLVE O MEU DESTINO POR TODOS OS LADOS”

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Ontem fez 157 anos que um dos maiores gênios da literatura mundial morreu. Não é fácil descrever o que significou e significa o trabalho de Edgar Allan Poe. Se eu pudesse traduzir os seus escritos em uma só palavra, esta seria: excepcional! Jamais, excetuando-se o breve período que se seguiu ao lançamento do poema “O Corvo”, obteve sucesso durante sua vida, mas pouco tempo após sua morte seu trabalho já era considerado fenomenal.

Até em seu leito de morte não deixou de ser poeta. Em suas palavras finais, delirante, disse: “As abóbadas do céu esmagam-me! Deixem-me ir embora! Deus escreveu legivelmente os seus decretos nas frontes das criaturas humanas... Os demônios apoderam-se de um corpo... Eles têm por cárcere as vagas turbilhonantes do mais negro desespero. Já entrevejo o abismo... Onde ficou a lama, a miséria? A calma eterna... sumiram-se as margens!” E nesta hora, volta a cabeça para o médico e suspira: “Que o Senhor venha em socorro da minha pobre alma...” E logo expira. Era madrugada de 7 de Outubro de 1849, e o mundo perdia, sem saber ainda, um de seus maiores escritores.

Poe nunca foi como os outros...

“Eu não fui desde a infância jamais semelhante aos outros. Nunca vi as coisas como os outros as viam. Nunca logrei apaziguar minhas paixões na fonte comum, nem tampouco extrair dela os meus sofrimentos. Nunca pude em conjunto com os outros despertar o meu peito para as doces alegrias. E quando eu amei fi-lo sempre sozinho. Por isso na aurora de minha vida tempestuosa evoquei como fonte de todo o bem e todo o mal o mistério que envolve, ainda e sempre, por todos os lados, o meu cruel destino: Da torrente ou da fonte, do penhasco vermelho da montanha, da luz dourada do Sol de outono que me conforta, do raio que passa por mim no céu, do trovão e da tempestade, e da nuvem que toma forma – quando o resto do firmamento estava azul. Tudo é extraordinário aos meus olhos”.

Edgar Allan Poe (*1809 + 1849)

“Quid mihi divitiae languore consorte,
Quid thesauri proderunt si opprimar morte”

Descanse em paz Mestre!

2 comentários:

Anônimo disse...

amo POE
Parabéns por me relembrar POE que embalou minha juventude com seus contos...Assombrados, como a vida e como a morte...UM DOS MAIORES CONTISTAS DO MUNDO...Muito boa a lembrança e justa a homenagem
PARABÉNS
POSTE MAIS POE- POSTE NOVAMENTE O CORVO...obrigada

tina oiticica disse...

Muito obrigada pela homenagem ao maior dos maiores da literatura dos EUA. Não conheço nada medíocre escrito pelo Edgar Allan Poe.

Há alguns sites que oferecem alguns contos em português e as duas traduções do Corvo, Machado ou Pessoa.

Lindos são estes olhos azuis envoltos no véu da mesma cor.

Bom domingo!